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A teoria dos custos de agência e dos recursos escassos

Porque é que o franchising continua a ser a forma mais rápida e financeiramente mais viável para se expandir um negócio?
Sempre que crescemos, tendo uma sucursal ou uma unidade franchisada, existem sempre custos de agência, isto é, o valor que nós gastamos para controlar o desempenho e o trabalho que é efectuado naquela determinada sucursal ou unidade franchisada. E aquilo que é estudado é que o custo de agência, ou o custo do controlo, é muito superior em unidades próprias do que em unidades franchisadas. Basicamente existem duas teorias que explicam porque se opta pelo franchising e não outro sistema:
Dos custos de agência
Esta é uma teoria que tenta explicar porque é que quando se expande um negócio se faz através de unidades franchisadas ou através de unidades próprias. Existe sempre um custo que é bastante significativo de controlo daquilo que é uma unidade própria, dos recursos humanos, da adequação do espaço, do cumprimento da missão que lhe está associada. Quem está à frente de uma agência tem vontade própria e os objectivos são diferentes daqueles que nós definimos à partida. O nível de empenhamento é diferente, tem repercussões que podem ser maiores ou menores, ou seja, os custos podem ser ainda superiores ou menores consoante por exemplo o afastamento ou a capacidade de controlo.
Falando do próprio controlo dos salários de quem está à frente de unidades próprias, estes são normalmente superiores aos de quem está à frente de uma unidade franchisada. Há uma tendência para uma valorização bastante superior dos salários nas unidades próprias, que costuma ser entre 8 a 10%, o que significa que essa percentagem pode ser considerada a diferença entre o custo de agenciamento entre unidades próprias e unidades franchisadas.
Dos recursos escassos
A teoria dos recursos escassos diz que quando as redes pretendem crescer vão ter que utilizar recursos, quer em termos de pessoal, quer em termos financeiros e o crescimento é bastante superior se utilizarmos os recursos de terceiros. Em termos de mercado, para mantermos uma competitividade e obtermos economias de escala (e precisamos obter rapidamente para não perder quota de mercado) o que as redes normalmente fazem é tentar expandir-se rapidamente e está comprovado que a expansão através de franchising é muito mais rápida, porque tem menores custos associados, quer em termos financeiros, quer ao nível do empenhamento de recursos humanos, porque como as unidades franchisadas são independentes em termos financeiros e em termos jurídicos, são estas que adequam os recursos à própria unidade.
Estes dois conceitos em conjunto são muito estudados e servem para explicar em termos de franchising o porquê de as redes crescerem através de franchising e não através de unidades próprias.
Outro cenário é se a rede já tiver sido potenciada e atingido um determinado nível de maturidade a tendência que existe em mercados muito grandes, como por exemplo nos Estados Unidos, é para que a rede volte a adquirir unidades, ou porque não estão a ser bem geridas pelos franchisados, ou porque sendo rentáveis ficaram à partida definidas, pelo próprio franchisador, que iriam ser adquiridas. O que para evitar o conflito na rede tem que ficar muito bem definido no contrato e tem que ser muito bem explicado à rede que o franchisador se reserva ao direito de ter unidades próprias.
Porque é que muitas empresas falham então neste processo de expansão?
Existe fundamentalmente muito pouca preparação. Quem tem um negócio, antes de pensar em franchisar tem que ter a certeza de que o negócio por si só, quer através de testes em unidades piloto, quer através da própria unidade que teve sucesso, é um negócio sustentável. E existe uma teoria que é a do 3x2 que é testar três unidades, em três cenários diferentes, durante dois anos. Há quem advogue o conceito de pelo menos uma unidade durante dois anos, depende muito dos mercados, dos países, do tipo de negócio que estamos a tentar desenvolver. Mas fundamentalmente uma das primeiras regras é ter a noção de o negócio tem que estar testado e a partir daí tem capacidade de ser reproduzido.
Não basta ter uma boa ideia para que um negócio vingue em franchising. A grande questão é que quem vai criar uma rede de franchising e nem sequer tem um plano de expansão, nem sequer tem a noção de quantas unidades é que quer abrir no território nacional, não pode garantir que esse negócio vai vingar no mercado. Existem ainda muitos casos em que a par com a abertura de negócios em franchising já estão a pensar em internacionalizar, e muitos deles, por incrível que pareça nem sequer unidades próprias tiveram, nem sequer conseguiram testar o conceito de negócio, quando isso é a base. Se não se testou um negócio, como é que se pode começar a vendê-lo a terceiros?
Se o franchising é supostamente uma forma de negócio que apresenta menor grau de risco porque é que existe ainda insegurança ou desconfiança por parte dos investidores na altura de desenvolver um negócio?
Nos estudos que se foram fazendo ao longo dos anos uma das questões que se verificou foi que as redes não viam com bons olhos o facto de terem franchisados investidores, nem sequer as próprias redes quando eram constituídas por investidores eram bem vistas… hoje em dia está a haver uma alteração em relação a essa política. Aquilo que se começa a notar é que efectivamente quem nós pretendemos que venha para o franchising sejam pessoas que conheçam o mundo dos negócios. O franchising não é mais do que uma ferramenta que permite potenciar o crescimento das redes e do negócio. O que está a acontecer é que nós estamos a sentir que está a haver uma mudança de atitude em relação ao investimento do próprio franchising.
Houve países que se aperceberam que o franchising estava a perder credibilidade e o que fizeram foi apostar em legislação. O problema é que quando os governos criam legislação, e é o que acontece em Portugal, tentam fazê-lo de tal forma restritiva que vai impedir o próprio desenvolvimento da actividade de franchising. A própria União Europeia criou alguma legislação específica para o franchising porque considerava que este acabava por ser uma forma de concertação de preços, de concertação económica, e como aquilo que a União Europeia pretende é a livre concorrência houve uma altura em que o franchising chegou a estar em perigo.
Existe essa contrapartida de quando os governos tendem a legislar o que fazem é ir buscar legislação de outros países, ou vão beber muito à jurisprudência da própria União Europeia e ai poderíamos ter problemas.
Nesse caso, qual seria a melhor solução?
Eu penso que seria melhor nós termos alguma (pouca) regulação do mercado, mas também compreendo, e sei, que se torna difícil porque depois termos uma regulação do mercado excessiva pode agravar o cenário, quando o que interessa é que o mercado funcione eficazmente.
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