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Que futuro para as empresas?

Tudo para evitar a bancarrota e em nome do compromisso assumido com a Troika, e de redução da dívida soberana para os 3% em 2013. Na política de contração anunciada pelo Governo, no Orçamento de Estado de 2012, está prevista uma quebra do consumo privado (cerca de 4,8%) e uma queda de 9,5% no que toca a investimento, indicadores pouco animadores para as empresas nacionais. A crise económica, no próximo ano, será ainda mais grave do que o inicialmente previsto, adiantando o Ministério das Finanças um provável panorama de recuperação em 2013.

As restrições sem precedentes que Portugal terá que enfrentar vão retirar ainda mais poder de compra às famílias. Assiste-se, já, a uma contração do consumo e os particulares que ainda têm algum poder de compra preferem depositar as poupanças nos bancos. A realidade é esta: a classe alta e média alta, está a poupar e a retrair o consumo, a classe média e média baixa, está a descer um escalão social e a classe baixa está a aumentar. O panorama afeta, e bastante, as empresas, que dependem do consumo para sobreviver.

“O acesso ao crédito está cortado, os depósitos das empresas portuguesas diminuíram bastante e todas estão a reestruturar, enviando pessoas para o desemprego e, aquelas que não conseguem aguentar, fecham pura e simplesmente”, vinca João Santos, coordenador de expansão da rede de agências de viagem Best Travel.

O responsável acredita que “as medidas duríssimas vão afetar todo o comércio e serviço do consumo interno e, estando o mercado português em transformação forçada, ou as empresas se adaptam, ou fecham. Acredito que as empresas exportadoras têm aqui uma oportunidade de se tornarem a nossa salvação, isto se o motor da Europa não calar”.

“Temos que concordar que não deixa de ser uma fantástica oportunidade para as empresas novas e aquelas que conseguirem atravessar esta fase. O mercado, em qualquer setor, irá deixar muito espaço livre e poderá significar uma concentração de mercado em poucas empresas de cada setor, embora esse mercado tenha encolhido”, refere.

Já Paulo Antunes, CEO da Loja do Condomínio (LDC), diz que “2012 e 1013 vão ser anos de ajuste a uma nova realidade, a realidade de um país mais pobre, mas com condições para voltar a crescer. Vamos ter que fazer muitas coisas de forma diferente, muitas das empresas vão ter que reinventar os seus conceitos de negócio. O franchising com a sua dinâmica natural irá, uma vez mais, demonstrar a sua capacidade de inovação e criação de valor”.

Como pontos negativos deste OE para as empresas nacionais estão as medidas recessivas que se traduzirão em menos rendimentos, menos consumo, e ainda “as mexidas, ainda que não muito concretas, nas taxas de IVA, que vão aumentar o custo de alguns produtos e serviços, com impacto negativo para empresas de diversos setores de atividade”, adianta Paulo Antunes.

Pedro Ruiz, Chief Executive Officer da rede de ginásios exclusivos para mulheres Vivafit, salienta “a inexistência de medidas concretas para reduzir drasticamente as despesas do Estado e a confiscação de metade do 14º e provavelmente 13º mês de salários como pontos desfavoráveis, promovendo-se apenas, com este último, o pânico e a paralisação do consumo”.

Como ponto positivo, apontado por algumas empresas contactadas pelo portal Tormo.pt está, por exemplo, o alargamento do período de trabalho (mais meia hora por dia) “o que irá trazer uma redução de custos de produção, mas cuja visibilidade vai depender muito do setor de atividade”, refere o CEO da LDC.

“Também a redução do número de feriados e/ou a sua alteração no calendário podem ser positivos, desde que melhorem a eficiência e a produtividade”, sublinha Pedro Ruiz.

“Pontos que ficaram em standby, ou que ainda não deixaram de ser meras promessas eleitorais, são a maior facilidade em obter crédito por parte das PME’s ou start-ups e a redução da TSU”.
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