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Recessão? Esta é a melhor altura para empreender

Em Portugal multiplicam-se as conversas sobre se esta é a melhor altura para investir num negócio próprio e começar a aventura do autoemprego. E, destas conversas, quantas acabam por concretizar-se na criação efetiva de uma empresa? Poucas? Nenhuma? A questão não está em saber se toda a gente tem perfil empreendedor, mas sim se estão dispostos a assumir riscos e responsabilidades individuais que concretizem objetivos pessoais, e se têm capacidade de inovação e antecipação.

Para aqueles que contra as dificuldades económicas e financeiras lutam, e porque no mundo dos negócios é sempre preferível ir diretamente ao que interessa, sem rodeios, apresentamos um breve “guia do empreendedor principiante”.

O primeiro passo

Porque não partir de uma a ideia? Lembre-se que a ideia de negócio propriamente dita não é o mais importante, o verdadeiro protagonista é a pessoa que a leva a cabo. Porquê? Porque não faz sentido questionar apenas se é uma boa ideia, sem antes nos termos questionado se somos ou não capazes de a concretizar. É fundamental identificar os motivos que nos levam a criar uma empresa, se é por necessidade, se servirá para nos trazer um futuro mais “brilhante”… aquele que nunca deve ser o motivo principal para empreender é: “porque tive uma excelente ideia”. Lembre-se, cheio de “excelentes ideias” como a sua está o mundo dos negócios.

Depois de efetuar esta “radiografia” pessoal, o segredo está em escolher um setor forte, por exemplo, detetar necessidades e lacunas no mesmo, como forma de podermos criar algo com um valor efetivamente diferenciador. Não significa criar apenas uma ideia complexa e fora dos parâmetros habituais do mercado. Veja-se por exemplo redes que surgiram com conceitos pouco inovadores, como a Starbucks, que se propôs como um grande distribuidor de cafés para o consumidor final, e que conseguiu quotas de sucesso inimagináveis logo no início da sua expansão, sendo hoje uma rede com 16 mil pontos de venda presentes em 44 países. Mesmo com ideias que não acrescentam nada àquilo que já existe, conseguem transformar-se em “role models” no mundo dos negócios. O segredo está nas pessoas que acreditam nesses projetos e que os tornam distintos de tantos outros.

Há que ser, no entanto, realista e não nos deixarmos levar pelos “encantos” da ideia, se bem que também é verdade que não nos devemos lançar no mundo empresarial com entraves logo à partida. Sonhar com a evolução sim, mas ponderar e analisar bem todas as hipóteses, como o target daquilo que temos para oferecer, ou concorrência que poderemos enfrentar.

Dar o salto: o que vou encontrar?

Se deixamos implícito que qualquer altura é boa para empreender, falta explicar porquê. Em alturas de crise, as empresas vêem-se obrigadas a explorar novas opções para as questões orçamentais, mas se com a recessão o mundo se encontra paralisado, porque não aproveitar? Como aproveitamos também aqui para pedir ao Estado e às entidades financeiras mais apoio para evitar que o mito de um Portugal pouco empreendedor se torne uma realidade.

Sem dúvida o tema dos apoios financeiros é hoje um dos mais delicados, tornando ainda mais importante a realização de uma estimativa de vendas realista e, dependendo dos resultados, conseguir obter o financiamento por parte de terceiros. Igualmente importante é a estimativa de custos, sendo aqui imprescindível a minimização dos mesmos, principalmente na fase inicial, tendo em conta que muitos recursos não são necessários nesta fase e que se indevidamente calculados podem comprometer o negócio a médio prazo.

 Esboço da empresa: a rota a seguir

Apesar de muitos empresários realizarem apensas um plano de negócio quando este requer mais investimentos, o business plan torna-se quase obrigatório para saber qual a melhor forma de pôr em prática aquilo que começou por ser uma simples ideia. Deve descrever-se o projeto após uma profunda análise e fazer projeções detalhadas sobre o seu futuro.

No fundo, responder a questões como: De que forma vou pôr em prática a minha ideia de negócio?, O meu projeto satisfaz uma necessidade de mercado real?, Existe mercado que o viabilize e justifique?, Existem muitas empresas que ofereçam o mesmo que a minha?

O plano de negócio assume igualmente importância no que se refere à obtenção de financiamento, sendo pois vital uma elaboração realista das estimativas e projeções financeiras. Servirá ainda como um plano de como e quando começar, ou seja, pode ser esclarecedor sobre todos os passos a dar e dissolver quaisquer dúvidas que surjam entre aqueles que acompanham o projeto de perto.

Um bom business plan ajudará a melhorar a ideia, aumentará as probabilidades de sucesso e evitará desvios da rota definida.

Execução: a aventura empresarial

Uma vez definido o mapa e rota a seguir, resta definir os meios que nos transportarão ao longo da viagem empresarial. Que modelo de empresa criar? É importante aqui contar com o apoio de um consultor especializado, um gestor, que nos indique qual o modelo mais adequado ao nosso projeto e que nos ajude a ultrapassar as barreiras burocráticas para a criação de uma empresa em Portugal.

Depois de fazer as malas, com boas ideias, de sabermos que terreno percorrer, de conhecermos os caminhos e atalhos possíveis, de saber com quem contar, falta escolher o veículo e os parceiros que nos acompanharão na aventura empresarial, que tem tanto de inquietante como de fascinante: a criação da nossa própria empresa.
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