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Licoristas do Algarve fazem "doces milagres" para enfrentar crise
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A imaginação dos algarvios para fazer licores leva-os a produzir bebidas até de caroços de nêspera e bolotas. Com a crise económica, os licoristas apostam agora na exportação para antigas províncias ultramarinas ou em "franchisar" a marca para continuar a adoçar a boca dos apreciadores.
Licores de alfarroba, figo, poejo, funcho, laranja, tangerina, limão, marmelo, canela, amoras silvestres, bolota e amêndoa são fabricados em São Marcos da Serra, no concelho de Silves, na aldeia de Querença (Loulé), em pleno coração do Barrocal algarvio, mas também em S. Brás de Alportel.
A maioria dos licoristas do Algarve registou em 2009 uma redução até 50 por cento no volume de negócios e a razão é a crise mundial.
Na aldeia de Querença, o volume de vendas já se situa nos 50 % em relação a anos anteriores, contou à Lusa o produtor Carlos Faísca, que comercializa a marca "Farrobinha".
"As pessoas começam a ouvir falar da crise e guardam o dinheiro na carteira", observou Madalena, trabalhadora da "Farrobinha", lembrando que nas feiras de Verão registaram quebras de vendas na ordem dos 20, 30 e até 50% em relação ao passado.
Mas como os negócios não podem parar, os produtores criam soluções para viabilizar o negócio, como está a fazer o produtor de São Marcos da Serra que está a apostar na exportação das "bebidas finas" para Angola, Moçambique e até Brasil para aumentar as vendas.
Apesar da crise, o licorista Jorge Lima confirmou à Lusa que têm até duplicado o número de vendas dos licores.
O segredo do negócio em tempos difíceis é a "honestidade", a "procura constante de novos clientes" e o facto do negócio ter começado em 2000, ano em que a crise já se sentia.
"A nossa aparição oficial foi já em tempos de crise. Tivemos de moldar a nossa empresa às dificuldades e nunca nos habituamos a clientes com muito dinheiro", conta o fabricante de S. Marcos da Serra, sublinhando que tem dois bons clientes que garantem todos os meses o escoamento de "quatro mil garrafas".
O recurso a garrafas "made in" Marinha Grande para vender os licores algarvios num molde único - que custou cerca de 10 mil euros - e a produção recente de uma "aguardente afrodisíaca" são os pontos fortes da loja de licores de S. Marcos da Serra.
A licorista Fátima Galego, 50 anos e com a tradição da "bebida fina" na família há várias gerações, explicou à Agência Lusa que até vai conseguindo escoar o produto licoroso, mas que no processo da revenda "há muita vigarice" e "tem perdido muito dinheiro".
"Ando ensarilhada com vários hotéis da região. Há unidades hoteleiras que me devem mais de três mil euros", desabafa a produtora de um licor de alfarroba com 17 graus de álcool de cor café com leite, cujo paladar é semelhante ao licor de wisky.
"Estou a pensar em fazer um franchising do meu licor de alfarroba para que os revendedores da marca fiquem submetidos a regras de pagamento", comentou a licorista de São Brás de Alportel.
Os licores têm propriedades terapêuticas, mas para obter o produto licoroso é necessário colher as frutas e plantas nas alturas certas do ano, juntar os ingredientes, destilar com álcool e engarrafar.
O licor de Alfarroba, desde que ingerido com moderação, pode atenuar as diarreias, conta à Lusa, João Beles, naturopata e professor no Instituto de Medicina Tradicional de Lisboa, indicando que a farinha de alfarroba é "utilizada há milhares de anos para esses fins".
Já o licor de funcho tem propriedades que facilitam a digestão e evitam as fermentações intestinais e anti-flatulento.
Para o final das refeições, o especialista recomenda o licor de limão, que pode "ajudar a vesícula biliar a libertar bílis", substância que permite a absorção das gorduras.
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